Resumo:
Este artigo analisa a trajetória política de Bashar al-Assad, desde sua ascensão ao poder em 2000 até sua queda em dezembro de 2024. A pesquisa examina os fatores internos e externos que moldaram seu governo autoritário, a eclosão e a prolongada guerra civil iniciada em 2011, e o colapso do regime em 2024. A análise se apoia em fontes secundárias, documentos diplomáticos e relatórios de direitos humanos para discutir o papel de atores internacionais como Rússia e Irã, além das consequências sociopolíticas para a sociedade síria.
Palavras-chave: Bashar al-Assad, Síria, guerra civil, política internacional, Autoritarismo, Rússia, Irã.
1. Introdução
Bashar al-Assad tornou-se presidente da República Árabe da Síria em julho de 2000, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, que governou o país por quase três décadas. Inicialmente visto por alguns setores como um possível reformista, Assad acabou consolidando um regime fortemente centralizado, mantendo o controle político por meio de práticas autoritárias. Sua formação profissional em medicina oftalmológica contrastava com o ambiente político repressivo que caracterizou seu mandato. A estabilidade interna e o desenvolvimento econômico foram metas declaradas, mas entraves estruturais e pressões sociais colocaram limites às mudanças.
2. Ascensão ao Poder e Consolidação do Regime (2000–2010)
A transição de poder no governo sírio em 2000 ocorreu sem rupturas institucionais profundas, pois Bashar manteve o Partido Baath como núcleo de poder. O novo presidente promovia um discurso técnico-modernizador, mas com pouca evolução efetiva na democratização. Instituições estatais, forças de segurança e aparato judicial permaneceram moldados pela lógica do clã Assad, que já governava desde 1971. A permanência do autoritarismo decorreu da preservação de estruturas de poder personalistas, em que a lealdade ao presidente era central.
3. Origem e Dinâmica da Guerra Civil Síria (2011–2024)
No contexto da Primavera Árabe, que em 2011 mobilizou protestos em vários países árabes, a Síria também experimentou manifestações populares exigindo reformas políticas e maior abertura. A resposta do regime foi a repressão. O uso de forças militares e de segurança para dispersar protestos deu início a um ciclo de confrontos que evoluiu rapidamente para um conflito armado complexo, envolvendo grupos rebelados, milícias, atores regionais e potências globais.
O conflito resultou em centenas de milhares de mortos, deslocamentos massivos da população e graves violações de direitos humanos. Organizações internacionais relataram o uso de armas químicas em várias ocasiões, levantando acusações contra o governo sírio por crimes de guerra. A guerra prolongou-se por mais de uma década, com diversas fases de intensificação e cessar-fogo temporários, e múltiplos fronts de batalha.
4. Apoio Internacional: Rússia e Irã
O regime de Assad manteve aliados estratégicos na Rússia e no Irã, que forneceram apoio militar, logístico e político. A intervenção russa, iniciada em 2015, incluiu apoio aéreo e consultoria militar, permitindo recuperar territórios e estabilizar frentes de combate. O Irã contribuiu com apoio de forças paramilitares e assessoria militar. Esses apoios foram determinantes para que Assad mantivesse o controle de partes significativas do território sírio durante grande parte da guerra.
5. Enfraquecimento do Regime e Queda de 2024
Ao longo de 2024, fatores militares e geopolíticos contribuíram para o enfraquecimento do regime. A redução do apoio efetivo de aliados como Rússia e Irã, aliada ao fortalecimento das forças de resistência interna e insurgente, culminou na perda de controle de centros urbanos estratégicos, incluindo a capital Damasco. Em 8 de dezembro de 2024, Assad perdeu o controle efetivo do governo e fugiu para a Rússia, marcando o fim de seu regime após 24 anos no poder. A insurgência anunciou a queda do governo, celebrada por opositores internos e observadores internacionais que haviam criticado a condução autoritária do país.
6. Transição e Sucessão Provisória (2025)
Com o vácuo de poder deixado pela fuga de Assad, lideranças insurgentes promoveram um processo de transição. Em janeiro de 2025, Abu Mohammad al-Julani, figura destacada dentro das forças que combateram o regime, foi anunciado como líder interino, com o compromisso declarado de iniciar um processo de reconciliação nacional e estabelecer bases para reformas políticas. A transição, no entanto, enfrenta desafios significativos ligados à reconstrução do país, à reintegração de grupos e à estabilização de instituições civis.
7. Conclusão
A trajetória de Bashar al-Assad na Síria evidencia a complexidade dos regimes autoritários em contexto de pressões populares e interesses geopolíticos. Sua ascensão e consolidação no início dos anos 2000 refletiram continuidade institucional, mas a incapacidade de responder a demandas sociais converteu-se em conflito prolongado. A guerra civil síria, apoiada e influenciada por potências externas, causou impactos humanitários e políticos extensos. A queda do regime em 2024 e a transição subsequente indicam um novo capítulo para a Síria, marcado por desafios de reconstrução e organização institucional.
10 Questões com Gabarito Comentado
1. Qual profissão Bashar al-Assad exercia antes de assumir a presidência da Síria?
A) Engenheiro civil
B) Médico oftalmologista
C) Advogado de direitos humanos
D) Oficial militar
E) Economista
Resposta: B
Comentário: Antes da carreira política, Bashar al-Assad formou-se e atuou como médico oftalmologista.
2. A transição de poder para Bashar al-Assad em 2000 decorreu principalmente da:
A) Vitória eleitoral popular
B) Renúncia voluntária de seu pai
C) Morte de seu pai, Hafez al-Assad
D) Intervenção da ONU
E) Revolução popular
Resposta: C
Comentário: Assad tornou-se presidente após a morte de seu pai, que governou a Síria por décadas.
3. Qual evento regional em 2011 influenciou o início dos protestos na Síria?
A) A Primavera Árabe
B) A crise financeira global
C) A guerra do Golfo
D) O Acordo de Oslo
E) O Brexit
Resposta: A
Comentário: A Primavera Árabe foi um movimento de protestos em vários países árabes que também motivou manifestações na Síria.
4. Um dos fatores que caracterizou o governo de Assad ao longo dos anos foi a:
A) Descentralização do poder político
B) Fortalecimento de instituições democráticas
C) Continuidade do autoritarismo familiar
D) Redução das forças de segurança
E) Adoção de um sistema multipartidário liberal
Resposta: C
Comentário: Assad manteve e reforçou um regime autoritário com forte controle do Partido Baath e do clã familiar.
5. Qual das seguintes potências foi aliada importante do regime sírio durante a guerra civil?
A) Estados Unidos
B) França
C) Turquia
D) Rússia
E) Japão
Resposta: D
Comentário: A Rússia foi um dos principais aliados internacionais, oferecendo apoio militar decisivo ao regime.
6. A guerra civil na Síria foi marcada por acusações de uso de:
A) Dessalinização forçada
B) Armas químicas
C) Energias renováveis obrigatórias
D) Sanções econômicas internas
E) Confisco de bens privados
Resposta: B
Comentário: Organizações internacionais relataram uso de armas químicas, gerando acusações de crimes de guerra.
7. Em que ano Bashar al-Assad perdeu o controle da capital da Síria, Damasco?
A) 2011
B) 2015
C) 2018
D) 2020
E) 2024
Resposta: E
Comentário: A tomada de Damasco pelos grupos insurgentes e a fuga de Assad ocorreram em 8 de dezembro de 2024.
8. A fuga de Bashar al-Assad em 2024 foi para qual país?
A) Irã
B) Turquia
C) Estados Unidos
D) Rússia
E) Arábia Saudita
Resposta: D
Comentário: Assad fugiu para a Rússia após perder controle do país.
9. Quem assumiu como líder interino da Síria em janeiro de 2025?
A) Mohammed Dahlan
B) Abu Mohammad al-Julani
C) Bashar al-Assad novamente
D) Recep Tayyip Erdogan
E) Vladimir Putin
Resposta: B
Comentário: Abu Mohammad al-Julani foi anunciado como líder interino após a queda do regime.
10. Um impacto central da guerra civil síria foi:
A) Estabilização econômica
B) Crescimento demográfico acelerado
C) Deslocamentos massivos de população
D) Redução das tensões regionais
E) Adoção universal de democracia
Resposta: C
Comentário: A guerra civil causou deslocamentos importantes da população, além de efeitos sociais e humanitários profundos.
